Infraestrutura 10 Fev, 2026 8 min de leitura

A Escolha do Cabo Certo na Instalação de Carregadores para Veículos Elétricos

Bruno Riêra

Bruno Riêra

Diretor de Engenharia da VoltchZ Brasil

A Escolha do Cabo Certo na Instalação de Carregadores para Veículos Elétricos

Por que o cálculo padrão do eletricista pode comprometer sua instalação?

Um dos erros mais graves e frequentes que encontramos em pátios de condomínio, garagens de casas e instalações comerciais é o subdimensionamento da fiação de cobre alimentadora do carregador. Muitos instaladores sem formação técnica específica utilizam cabos de 4 mm² ou 6 mm² para distâncias de 30 ou 40 metros sob corrente constante de 32A, baseando-se apenas em tabelas genéricas de condução de corrente de curta duração.

Em circuitos longos operando como cargas contínuas prolongadas, um fator crítico entra em cena e invalida completamente esse cálculo simplificado: a queda de tensão ao longo do condutor. A resistência ôhmica do cobre gera perdas que se manifestam como aquecimento do cabo e redução da tensão que efetivamente chega ao carregador.

O Impacto Real da Queda de Tensão no Desempenho do Carregador

Se a tensão cair de 220V para 190V no terminal do EVSE, as consequências são múltiplas e sérias: a potência de carga efetiva cai proporcionalmente ao quadrado da tensão (lei de Joule), aumentando dramaticamente o tempo de recarga completa da bateria. O sistema de comunicação de baixa tensão (piloto CP e PP) do protocolo IEC 61851 pode apresentar erros de comunicação ou simplesmente não reconhecer o carregador como compatível, encerrando a sessão forçosamente.

  • Abaixo de 15 metros e 32A: Cabo de cobre de 6 mm² in eletroduto exclusivo e ventilado.
  • De 15 a 30 metros e 32A: Cabo de cobre de 10 mm² (reduz drasticamente queda de tensão).
  • De 30 a 50 metros e 32A: Cabo de cobre de 16 mm² (garante quedas abaixo de 3%, conforme NBR 5410).
  • Acima de 50 metros e 32A: Cabo de cobre de 25 mm² ou instalação de segundo quadro de distribuição intermediário.

"Bitola de cabo não se escolhe por palpite nem por tabela genérica; ela se calcula combinando a corrente nominal contínua do circuito, a temperatura máxima do ambiente, o método de instalação (eletroduto, cabo livre, enterrado) e a queda de tensão percentual máxima admissível ao longo do percurso."

— Bruno Riêra

Método de Instalação: Eletroduto, Calha ou Enterrado

O método de instalação do cabo afeta diretamente sua capacidade de condução de corrente. Cabos em eletroduto fechado têm menor dissipação térmica e menor capacidade de corrente comparados ao mesmo cabo instalado ao ar livre. Cabos enterrados em solo têm capacidade de corrente intermediária, mas exigem proteção mecânica adequada (eletroduto rígido de PVC ou PEAD) e respeito às profundidades mínimas estabelecidas pela NBR 5410.

Na VoltchZ Brasil, todo projeto técnico passa por uma simulação computacional de engenharia para prever com precisão as perdas ôhmicas, o perfil de temperatura do cabo sob carga máxima e a queda de tensão percentual no ponto mais desfavorável do circuito. Isso garante uma operação silenciosa, eficiente e em plena conformidade com as normas brasileiras vigentes.

Bruno Riêra

Bruno Riêra

Diretor de Engenharia & Especialista ITA — VoltchZ Brasil

Engenheiro Eletrotécnico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Bruno lidera a equipe de dimensionamento e segurança elétrica da VoltchZ Brasil. Especialista em proteção ativa de circuitos, balanceamento de carga inteligente via OCPP e adequação de instalações às normas NBR 5410 e NBR 17019.

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